O problema dos evangélicos é a interpretação de texto

O escritor João Paulo Cuenca está sendo processado por vários pastores da Igreja Universal por conta da seguinte publicação no Twitter:

“O brasileiro só será livre quando o último Bolsonaro for enforcado nas tripas do último pastor da Igreja Universal”, uma paródia da famosa citação de Jean Meslier, que diz: “O homem só será livre quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre”.

É difícil fazer uma análise imparcial da frase, especialmente porque estou inclinado a concordar com ela. Mas, de acordo com o jornal Folha de S.Paulo, as petições possuem textos idênticos, o que indicaria uma ação orquestrada pela instituição cristã, que, é claro, segue os ensinamentos de Cristo. Todos nós, verdadeiros conhecedores da liturgia, sabemos que parte da rotina de Jesus consistia em multiplicar pães, curar aleijados e passar tardes inteiras nos tribunais de Justiça. Quem não se recorda daquela célebre frase dita por ele: “Ao que te bate numa face, oferece-lhe também a outra… se nada disso funcionar, processe o sujeito!”.

Não me admira que os evangélicos não saibam interpretar um texto satírico. Eles nunca foram muitos adeptos à leitura. Prova disto é que sempre que me hospedo em um hotel encontro uma Bíblia que foi abandonada.

Agora, os evangélicos são espécimes difíceis de entender. Eles interpretam frases literalmente enquanto seguem um sujeito que falava por metáforas.

Como exatamente você espera entender as palavras de Cristo se não consegue entender um tweet?

Mas o problema dos evangélicos com a interpretação de texto não se limita apenas ao caso em discussão. É um problema crônico. Jesus disse claramente: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”, e de algum jeito os evangélicos assimilaram: “Odeie gays”. Jesus disse: “Bem aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus”. E os evangélicos ouviram: “Queime terreiros de umbanda”. É como se os evangélicos estivessem brincando de telefone sem fio com a Bíblia. Uma mensagem é dita e chega outra completamente diferente aos ouvidos.

Interpretar um discurso satírico literalmente é um problema. Na maioria das vezes, os discursos necessitam de um esforço a mais para serem entendidos, tal qual um poema, ou os ensinamentos de Cristo. Além do mais, aos olhos da comunidade cristã, isso deveria ser motivo de enorme preocupação. Caso verdadeiramente retorne, Cristo terá enormes dificuldades em ser compreendido. Em João 10.9, Jesus disse: “Eu sou a porta”. Não vou ficar surpreso se um evangélico querer pregar pregos nele novamente.

Texto escrito por Daniel Duncan.

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